As problemáticas das ciências cognitivas aplicadas à História e Arqueologia vêm-me interessando cada vez mais, nomeadamente para a abordagem dos processos de neolitização e da emergência das tradicionalmente designadas “sociedades complexas”. Existirá uma estrutura básica de funcionamento da mente humana ou poderemos traçar-lhe percursos históricos? Poderemos relacionar formas e dinâmicas de organização no espaço e no tempo, formas de vida, visões do mundo, com transformações da mente? Estas problemáticas têm sido tratadas pela Arqueologia essencialmente no âmbito dos estudos relacionados com os trajectos da hominização até ao Homem moderno, mas têm sido menos consideradas na Pré-História Recente.
Ora um dos aspectos mais interessantes em tratar estas questões em sociedades constituídas por homens anatomicamente modernos é que permite realçar o facto de que a transformação das estruturas mentais ultrapassa a questão da evolução física, sublinhando o papel da cultura na estruturação e reestruturação das formas de pensamento. Como sustenta Merlin Donald, “a cultura pode, literalmente, reconfigurar os padrões de uso do cérebro”. Ou, por outras palavras, que implicações têm a emergência da agricultura e a domesticação, por exemplo, nos modos (versões para utilizar a terminologia de L. Strauss) de funcionamento da mente e nas formas como o Homem racionaliza o mundo? Ou, ao contrário, que implicações têm para aa dinâmica da neolitização alterações cognitivas que se processam durante o Paleolítico Superior?
A relação com as problemáticas das ciências cognitivas e com os desenvolvimentos que se vão realizando noutras áreas que se dedicam ao estudo da mente humana, sejam elas de pendor mais científico ou filosófico, são uma área a que a Arqueologia portuguesa (sobretudo a que se dedica à Pré-História) também se deveria abrir.
Neste contexto de percepção da historicidade do funcionamento das estruturas cognitivas, tanto na sua dimensão individual como colectiva, uma abordagem que utilize as potencialidades da analogia entre o estudo do desenvolvimento das estruturas operativas dos processos cognitivos no indivíduo actual e os de diferentes contextos históricos, poderá ajudar-nos a dar conta de distintas formas de pensar e de construir identidades e, desta forma, criar possibilidades a uma arqueologia contrastante dos processos de identificação, viabilizando discursos não essencialistas sobre as identidades do passado.
“(...) se adoptadas as devidas precauções, é possível comparar as formas de pensar de contextos remotos com os tipos de processos de pensamento exibidos e os tipos de medições utilizadas nos contextos da tradicional escolaridade ocidental”
(Gardner, 2002: 347)
Ora um dos aspectos mais interessantes em tratar estas questões em sociedades constituídas por homens anatomicamente modernos é que permite realçar o facto de que a transformação das estruturas mentais ultrapassa a questão da evolução física, sublinhando o papel da cultura na estruturação e reestruturação das formas de pensamento. Como sustenta Merlin Donald, “a cultura pode, literalmente, reconfigurar os padrões de uso do cérebro”. Ou, por outras palavras, que implicações têm a emergência da agricultura e a domesticação, por exemplo, nos modos (versões para utilizar a terminologia de L. Strauss) de funcionamento da mente e nas formas como o Homem racionaliza o mundo? Ou, ao contrário, que implicações têm para aa dinâmica da neolitização alterações cognitivas que se processam durante o Paleolítico Superior?
A relação com as problemáticas das ciências cognitivas e com os desenvolvimentos que se vão realizando noutras áreas que se dedicam ao estudo da mente humana, sejam elas de pendor mais científico ou filosófico, são uma área a que a Arqueologia portuguesa (sobretudo a que se dedica à Pré-História) também se deveria abrir.
Neste contexto de percepção da historicidade do funcionamento das estruturas cognitivas, tanto na sua dimensão individual como colectiva, uma abordagem que utilize as potencialidades da analogia entre o estudo do desenvolvimento das estruturas operativas dos processos cognitivos no indivíduo actual e os de diferentes contextos históricos, poderá ajudar-nos a dar conta de distintas formas de pensar e de construir identidades e, desta forma, criar possibilidades a uma arqueologia contrastante dos processos de identificação, viabilizando discursos não essencialistas sobre as identidades do passado.
“(...) se adoptadas as devidas precauções, é possível comparar as formas de pensar de contextos remotos com os tipos de processos de pensamento exibidos e os tipos de medições utilizadas nos contextos da tradicional escolaridade ocidental”
(Gardner, 2002: 347)
Referências:
Donald, Merlin, (1999), Origens do Pensamento Moderno, Lisboa, Fundação Calouste GulbenKian
Gardner, Howard (2002), A nova ciência da mente. Uma história da revolução cognitiva,Lisboa, Relógio D'Água.
Gardner, Howard (2002), A nova ciência da mente. Uma história da revolução cognitiva,Lisboa, Relógio D'Água.
António Carlos Valera