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terça-feira, 29 de março de 2011

0018 - "Neurónios espelho" e as bases da cultura

Uma notável apresentação (apesar dos "rr" do inglês) sobre a importância das Ciências Cognitivas para o entendimento de uma "ontologia humana em rede" e de que a separação entre cultura e biologia, mente e corpo, é uma dicotomia datada.

VS Ramachandran

Segue-se o link para o texto do autor referido no vídeo:
Giacomo Rizzoliti, The Mirror-Neuron System

Assim como um outro artigo sobre o assunto:

(Informação enviada por António Castelo)

domingo, 6 de março de 2011

0010 - A contribuição da Psicologia Evolutiva

Psicologia Evolutiva – é um ramo da Biologia que estuda o comportamento animal sob uma perspectiva biológica de Adaptação e Selecção Natural. É uma disciplina que nasce no seguimento da “Sociobiology” e da “Behavioural Ecology”.

Tem como objecto de estudo os comportamentos e predisposições naturais que são universais e transversais ao Homem.

Artigos seminais para o surgimento da disciplina foram, entre outros, o de Robert Trivers (1971), “The Evolution of Reciprocal Altruism”; o de Robin Dunbar (1992) “Neocortex size as a constraint on group size in primates”; e o de John Maynard Smith (1982) “Evolution and theory of games”.

Há cinco palavras de ordem que, a meu ver e para já, se adequam para orientar a contribuição que a Psicologia Evolutiva tem para trazer a um debate desta natureza. Essas são: Socialidade; Antropomorfização; Cultura; Arbitrariedade; Grupo.

Estudos da área da Neurociência Cognitiva Social trazem à luz evidência da antropomorfização inconsciente com que os primatas interpretam o mundo e os agentes/objectos que os rodeiam. Evidências na interacção social e na elaboração de processos neuronais decisivos de linguagem e acção apontam no sentido de antropomorfização constante. Esta antropomorfização resultará da utilização de uma aparelhagem cognitiva social extremamente desenvolvida, que estará na origem da maior parte da diferenciação cognitiva dos humanos para os outros primatas mais próximos.

A separação emocional do observador/objecto e a consequente degradação da consideração animista resultarão de um estabelecimento arbitrário e cultural do espírito científico que é hoje completamente absorvido pela cultura a uma escala global, com especial ênfase no Ocidente. Só sem os códigos “bio-lógicos” naturais de uma linguagem interpretativa o Homem deixa de “sentir/experienciar” e passa a racionalizar e a contabilizar em exclusivo. A discussão de David Abraam “O Alfabeto e o Animismo” (Abraam, 2007) trata este tema.

Uma ferramenta de organização importante do Homem e de outros primatas na catalogação e compreensão do Mundo em que se movem é a formação de grupos. A dicotomização imediata dos fenómenos naturais é uma predisposição imediata e universal, e muitas vezes traduz-se no estabelecimento de “in-group” e de “out-group. Não há razão nenhuma, antes pelo contrário, para crer que o estabelecimento de um “in-group” é específico, ou seja, que incorpora somente animais de uma mesma espécie. E há certamente motivos para investigar a ocorrência generalizada de formação de grupos multi-específicos, principalmente numa atmosfera de inter-especificidade rica como o são as comunidades Homo. É de esperar que a inclusão de animais não-humanos (e.g. animais domésticos) em grupos por parte de agentes humanos tenha interferências fortes no estabelecimento de relações sociais (não utilitárias) com esses mesmos animais.

A contribuição da Psicologia Evolutiva para este debate é trazer uma linha de diálogo entre nós e as comunidades pré-históricas no sentido de compreender as limitações interpretativas/sensoriais, tal como as predisposições cognitivas que são comuns a todos os Humanos.

António Castelo