Uma notável apresentação (apesar dos "rr" do inglês) sobre a importância das Ciências Cognitivas para o entendimento de uma "ontologia humana em rede" e de que a separação entre cultura e biologia, mente e corpo, é uma dicotomia datada.
VS Ramachandran
Segue-se o link para o texto do autor referido no vídeo:
Giacomo Rizzoliti, The Mirror-Neuron System
Assim como um outro artigo sobre o assunto:
(Informação enviada por António Castelo)
Missão: estimular o debate e as abordagens transdiciplinares à Pré-História que contemplem a necessidade de pensar as formas como o Homem se concebe a si e ao mundo que o rodeia, de maneira a melhor poder interpretar as suas mais variadas práticas e realizações.
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terça-feira, 29 de março de 2011
domingo, 6 de março de 2011
0010 - A contribuição da Psicologia Evolutiva
Psicologia Evolutiva – é um ramo da Biologia que estuda o comportamento animal sob uma perspectiva biológica de Adaptação e Selecção Natural . É uma disciplina que nasce no seguimento da “Sociobiology” e da “Behavioural Ecology”.
Tem como objecto de estudo os comportamentos e predisposições naturais que são universais e transversais ao Homem .
Há cinco palavras de ordem que , a meu ver e para já , se adequam para orientar a contribuição que a Psicologia Evolutiva tem para trazer a um debate desta natureza . Essas são : Socialidade; Antropomorfização; Cultura ; Arbitrariedade ; Grupo.
Estudos da área da Neurociência Cognitiva Social trazem à luz evidência da antropomorfização inconsciente com que os primatas interpretam o mundo e os agentes /objectos que os rodeiam. Evidências na interacção social e na elaboração de processos neuronais decisivos de linguagem e acção apontam no sentido de antropomorfização constante . Esta antropomorfização resultará da utilização de uma aparelhagem cognitiva social extremamente desenvolvida , que estará na origem da maior parte da diferenciação cognitiva dos humanos para os outros primatas mais próximos .
A separação emocional do observador /objecto e a consequente degradação da consideração animista resultarão de um estabelecimento arbitrário e cultural do espírito científico que é hoje completamente absorvido pela cultura a uma escala global , com especial ênfase no Ocidente . Só sem os códigos “bio-lógicos” naturais de uma linguagem interpretativa o Homem deixa de “sentir /experienciar ” e passa a racionalizar e a contabilizar em exclusivo . A discussão de David Abraam “O Alfabeto e o Animismo ” (Abraam, 2007) trata este tema .
Uma ferramenta de organização importante do Homem e de outros primatas na catalogação e compreensão do Mundo em que se movem é a formação de grupos . A dicotomização imediata dos fenómenos naturais é uma predisposição imediata e universal , e muitas vezes traduz-se no estabelecimento de “in-group” e de “out-group. Não há razão nenhuma, antes pelo contrário , para crer que o estabelecimento de um “in-group” é específico , ou seja, que incorpora somente animais de uma mesma espécie . E há certamente motivos para investigar a ocorrência generalizada de formação de grupos multi-específicos, principalmente numa atmosfera de inter-especificidade rica como o são as comunidades Homo. É de esperar que a inclusão de animais não-humanos (e.g. animais domésticos ) em grupos por parte de agentes humanos tenha interferências fortes no estabelecimento de relações sociais (não utilitárias) com esses mesmos animais .
A contribuição da Psicologia Evolutiva para este debate é trazer uma linha de diálogo entre nós e as comunidades pré-históricas no sentido de compreender as limitações interpretativas/sensoriais , tal como as predisposições cognitivas que são comuns a todos os Humanos .
António Castelo
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